quarta-feira, 18 de abril de 2007

DESENVOLVIMENTO LOCAL EM BASE AO PATRIMÔNIO HISTÓRICO

A história da ocupação de uma região, sua economia, relações e valores é uma matriz cultural básica e um “capital social” ou um “fator comunitário” essencial ao desenvolvimento e fortalecimento da identidade e coesão social. Neste sentido constata-se que em Parelheiros não podemos desperdiçar este potencial de riquíssima diversidade. Vamos abordar uma das matrizes, a dos germânicos. No início dos anos 1800 se fixou na região a primeira migração oficial de alemães no Brasil. Por esta razão a atual Colônia foi conhecida como “Colônia Alemã”. Outro fator que agrega valor, coincidentemente, existem duas Crateras ocupadas no mundo, uma é Cratera de Ries (Alemanha) e outra aqui, a conhecida Cratera de Colônia. Esta coincidência contribui também como um potencial de resgate ligado a identidade regional, ao incremento e valorização cultural, promoção ao desenvolvimento de atividades científicas e mais um fator de atração que pode fortalecer a base da economia do turismo regional.

O poder público local, a subprefeitura, nesta perspectiva vem promovendo iniciativas que criem ou fortaleçam as condições adequadas a este desenvolvimento. Realizou uma mostra de cinema alemão, buscou apoio (sem resultado ainda) da Sociedade Hípica Paulista que é proprietária de gleba onde se situa uma Casa Histórica (em franco deterioro) propondo uma parceria visando constituir uma Casa de Cultura e Museu da Imigração. Estabeleceu contatos com o Instituto Hans Staden, para promover um Seminário sobre as raízes históricas da região. Contatou a Associação Mantenedora do histórico Cemitério Protestante da Colônia e no desfile cívico do dia 7 de setembro, participou com o Bloco Portal das Águas, integrado por um grupo de dança alemã, um grupo de Guarani das Aldeias e um grupo de japoneses, todos componentes da matriz histórico-cultural da região de Parelheiros. Motivado por estas iniciativas, a Associação de Entidades Alemãs de São Paulo, decide realizar em 4 de março de 2006 sua primeira reunião ordinária na antiga Colônia Alemã.

Uma iniciativa com perspectiva foi a emergência na Colônia de um grupo de jovens desta matriz, com perspectiva empreendedora e de sensibilidade para com as atividades de fortalecimento e resgate da comunidade local. O grupo como apoio do poder local e uma associação local, tende assumir e promover o projeto de resgate das raízes históricas desta comunidade. O grupo sem dependência paternalista tem iniciativa e assumiu a identidade de J.E.C.A. (Jovens Empreendedores da Colônia Alemã). O simples fato de se agregar com objetivos claros se torna fator de atração de apoios que certamente serão administrados com equilíbrio. Uma rede começa a tomar corpo, o JECA se conecta com uma professora e outros 15 jovens que estudam o idioma alemão há mais de um ano, utilizando o auditório do CIEJA (Centro Integrado de Jovens e Adultos) na Varginha.

Certamente um fator de estimulo inicial para a formação do grupo JECA, a meta articuladora, no curto prazo foi aprender os rudimentos do idioma, consolidar um grupo para uma viagem de intercambio e estudos na Alemanha. Visitar, a região de origem dos seus antepassados e estabelecer laços de intercambio social, cultural e econômico. Esta iniciativa permitiu uma sinergia e agregar outros valores, surgiu um estudiosos do tema e estimulou a mobilização dos veteranos da Associação de Colônia. Assim, o objetivo mais estrutural e estratégico vai tomando forma consolidando lideranças comunitárias, formar empreendedores com novas iniciativas e promovendo um processo de comunidade mobilizada que assume e defende o território como um patrimônio que lhe gerará as condições de trabalho e vida agora e no futuro. Este efeito demonstração esta rapidamente produzindo outros resultados positivos, a Associação Cívica de Colônia se reestrutura e amplia e é formada uma Comissão de Resgate do Patrimônio Histórico de Colônia.

Com isto vai se construindo uma agenda positiva de iniciativas locais que a comunidade começa administrar sem imediatismos e apontando não só ao resgate da identidade, mas fortalecendo ao desenvolvimento da economia local, inclusive com a comunidade japonesas. Estas iniciativas se ampliarão com outras redes, mas vale a pena citar alguns temas: 1) A Subprefeitura promove a organização do I Seminário de resgate das raízes da migração; 2) Coloca na agenda a constituição de uma Casa de Cultura e Museu da Migração Alemã; 3) Promove a iniciativa para que se tenha um projeto de médio prazo para um acordo de Crateras Irmãs com a Cratera de Ries da Alemanha em um contexto de projetos de intercâmbio sócio-cultural e científico com o governo de Nördlingen, assim como, estreitar a relações com o Museu Rieskrater de Nördlingen (logo que se constitua um Comitê Científico da Cratera). Para isto a Subprefeitura deverá promover a I Conferência Cientifica da Cratera de Colônia.
DESENVOLVIMENTO LOCAL COM PROTAGONISMO COMUNITÁRIO

O desafio de lideranças transparentes e ter consciência do quadro atual do país e do mundo em termos de trabalho e condições de vida. A região de Parelheiros com uma população que beira 200 mil habitantes, com um mercado de trabalho formal que não ultrapassa muito provavelmente 7 mil (o censo de 2000 mostrava menos de 6 mil pessoas com carteira assinada). A distancia de quase 1:30 horas dos centros empregadores coloca um desafio para a região. Se considerarmos que em 2000 tínhamos matriculado nos equipamentos de educação sob o controle da Prefeitura 7.100 e em 2004 já são 14.200, nos vem o questionamento sobre o mercado de trabalho para estes jovens nos próximos anos? É por esta razão que chamo a atenção para a redescoberta, a revalorização e o desenvolvimento do “fator comunidade” e da reflexão sobre o significado do “capital social” da região.Por isto também, a necessidade da formulação de um novo estilo de economia e forma de vida para a região dos mananciais.

O “fator comunidade” é um diferencial para qualificar uma comunidade comparativamente a outras. A diferença do “fator econômico e financeiro” ou do “fator técnico”, o “fator comunidade” é a energia social que emerge, que renasce da comunidade, a qual mostra conhecer os modos de fazer acontecer a vida local. Também de maneira parecida, mas não igual, é utilizado para comparações o conceito de “capital social”, uma concepção mais utilitarista de abordar a questão. Uma comunidade, o povo que habita um território possuiria em maior ou menor grau o “capital social”, olhando-se pelo prisma do nível de educação geral e especializada, supondo que esta educação se associe a capacidade daquela comunidade se organizar, produzir e consumir. Certamente a avaliação do tema do “capital social” pode estar associada com o fato de uma empresa desejar fazer um investimento na região e querer encontrar recursos formados que não exija mais gastos para sua formação, ou seja, alem do capital financeiro, de infra-estrutura e de trabalho, desde este ponto de vista, um investimento exige também incluir no cálculo o “capital social”. Uma comunidade organizada e com nível de formação cidadã tem um “fator comunidade” maior e capacidade de sobrevivência em um ambiente hostil com maior qualidade. Isto tem sido aferido em nações durante as crises naturais ou conflitos bélicos.

Como temos afirmado em várias oportunidades, para superar as características de baixa coesão e fragilidade do tecido social de Parelheiros, devido a ocupação do território a razão de 8% de incremento ao ano. A grande maioria dos bairros é estabelecimento recente, sem identidade e coesão social. Para consolidar a identidade no cenário metropolitano é necessária uma presença ativa das Igrejas, das Associações, dos setores de interesse organizados em um grande esforço de cooperação e na reconstrução do espírito comunitário da região. É neste contexto que se deve valorizamos o resgate das tradições e atividades recreativas da região, como a FESTA DO ANIVERSÁRIO 178 ANOS DE PARELHEIROS, com a presença do Bispo Dom Fernando e do Padre Marcelo, uma abertura com ATO ECOMÊNICO de todas as crenças, Messiânicos, Afros, Evangélicos, pela Paz. A FESTA se torna um eixo de múltiplos significados subjetivos e objetivos. A forma de organizar um evento expressa uma concepção. A formação de uma Comissão de Festas com participação voluntária de pessoas da comunidade. O evento tem um significado para o comercio e as empresas que prestam serviços à região. As pessoas ao cooperarem e praticarem a ajuda mútua se desenvolvem e se enriquecem uns aos outros. Esta atitude de participação na comunidade esta baseado em um princípio muito que agrega valor nas relações entre interesses e grupos que é o princípio do ganha/ganha. A mobilização para a FESTA, com desfile cívico, grupos culturais, exposições de artesãos, resgate da memória cultural, com presença beirando os 20 mil durante três dias expressa uma dimensão do “fator comunidade” e pode construir outro futuro para a região. Junho 2005.

COMENTARIO: na linha de desenvolvimento de um território das características de Parelheiros, a cultura, a identidade joga um papel estratégico na coesão social, na estruturação do território e como fator de desenvolvimento de uma nova economia, uma vez que a vocação básica da região é o turismo, tendo como mercado a metrópole e isto exige forte participação local.
DESENVOLVIMENTO REGIONAL E GESTÃO PÚBLICA

Algumas premissas ou requisitos necessários para o desenvolvimento regional de Parelheiros implicam aspectos objetivos e subjetivos. Uma linha de força a vencer é a frágil coesão territorial e sociocultural. A necessidade de gerar uma visão comum e a identidade compartilhada de um projeto regional. Este território, que cobre ¼ da cidade, tem uma composição sócio cultural frágil, sua formação histórica se compõe de duas matriz sociais dinâmicas: um núcleo de habitantes de raízes históricas, que tiveram um crescimento populacional estável até final dos anos 70, integrado por descendentes dos migrantes alemães de 1827 assimilados à cultura sertanista e da migração nipônica. Outro nucleo, ainda em crescimento e muito dinâmico, é resultante do fluxo migratório contínuo dos inícios dos anos 80 resultante da crise de reestruturação urbana e econômica da cidade. A população alcançou a cifra de 61.000 habitantes em 1991, fechou o censo em 2001 com 112.000 e a estimativa é de 180 mil habitantes em 2006. Esta dinâmica de crescimento populacional com grande carência alimenta uma agenda imediatista, individualista, que oferece lugar ao clientelismo político de curtíssimo prazo. A superação deste quadro exige um grande esforço e lideranças locais capaz de harmonizar uma estratégia regional comum.

A região de Parelheiros não tem uma base econômica que sustente um grupo sociopolítico e impulse uma agenda comunitária regional, nem existe lideranças capazes de gerar credibilidade e articular uma agenda de curto, médio e longo prazo com inclusão social imediata e visão de futuro. A água, será certamente um produto estratégico, mas não entra ainda como fator aglutinador. A agricultura e o carvão que foi base econômica, perdeu força, a economia atual é baseada no comercio, setor imobiliário, construção, turismo, minério, lazer, mas ainda não alcançou estabilizar uma plataforma comum e um projeto estratégico objetivo. Contudo, a região avança, existem, por exemplo, diversos aspectos positivos no eixo subjetivo de valorização sociocultural: se desenvolve o resgatar da historia regional, o fortalecimento da identidade, os moradores começam a tomar ciência da função da região como manancial da cidade e tomam iniciativas. Em resumo, apesar dos pontos fracos, as condições objetivas e subjetivas estão dadas e esta acontecendo a construção do projeto regional com ampla participação.

A região não chegou a um ponto de desequilíbrio, de não retorno respeito ao potencial do patrimônio local. Sua vocação não é de mero dormitório ou “bota fora” da reestruturação urbana da cidade. O patrimônio territorial e natural é enorme: água, mata atlântica, floresta de exóticas (pinus e eucalipto), agricultura e os recursos aquáticos e minerais. O grande eixo do futuro é o turismo com o enorme potencial de serviços de lazer, recreação para os habitantes da cidade que a cada fim de semana longo expele mais de 1.500.000 veículos em busca de lazer e descanso. Se deve consideram também, a iniciativa da administração municipal com o projeto de resgate da Represa Guarapiranga como espaço recreativo. Se a comunidade local consolidar uma agenda é viável discutir os fatores compensatórios e a possibilidade de projetos de desenvolvimento limpo. É viável um projeto regional de inclusão dos atuais moradores e um crescimento populacional de até 2%, mas não com a permanência de um crescimento de 8.5% ao ano como é atualmente. O desafio para as lideranças, cidadãos e quadros comprometidos com futuro de Parelheiros é formular um projeto de desenvolvimento regional sustentado no patrimônio local. A inexistência de um projeto claro para a região põe em risco o futuro, viabiliza o clientelismo político imediatista, deteriorando os mananciais da cidade, sem consolidar o desenvolvimento efetivo de médio e longo prazo.
As condições institucionais para o desenvolvimento do projeto regional estão sensíveis, tanto no nível local, na gestão municipal e em instâncias do governo estadual. Com freqüência as pessoas acreditam que o poder público, pode isoladamente exercer este papel condutor. Certamente ele é necessário, mas insuficiente. O marco institucional da região amplia o território de abrangência do projeto regional. Engloba em um destino comum o território da APA Bororé Colônia com uma legislação específica. As forças locais, no meu entender, devem trabalhar com uma agenda um programa-compromisso pluralista desde o ponto de vista político partidário. Pois a região de mananciais é de interesse estratégico para toda a cidade que se aproxima a 12 milhões de habitantes e com 50% de déficit de água. Este compromisso com a cidade é necessário para executar medidas de fiscalização unificada, congelamento do fluxo migratório, de ocupação irregular do uso do solo e das necessárias remoções. Para remoção são necessários recursos e projetos de residências adequadas, transferindo das áreas de proteção para as zonas especiais previstas. A data de congelamento é a da aprovação do Plano Diretor regional. A aplicação de tais premissas em caráter urgente e de emergência permitirá tanto ao poder público, ao setor privado e a cooperação técnica internacional encontrar as condições adequadas para aplicar recursos no desenvolvimento adequado e sustentado na região. A não execução destas premissas exposta levaria a que iniciativas isoladas e parciais incrementarem ainda mais a deterioração do patrimônio regional. Um plano regional permitiria também um entendimento comum de tratamento adequado com a administração central da cidade, desenhando um orçamento e recursos de acordo a função mananciais que a região tem para toda a cidade. (Ver:: Orçamento de Parelheiros: análise crítica)

domingo, 15 de abril de 2007

DESFAZIMENTO: PRIORIDADE DO COLETIVO SOBRE O INDIVIDUAL

Um acórdão do Superior Tribunal de Justiça frente ao tema Moradia x Preservação do Ambiente, reconhece que a preservação do ambiente deve preponderar na preservação de manancial sobre direito à moradia em parcelamento clandestino do solo.

A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, reconheceu que a destruição ambiental da represa Billings - que serve de água grande parte da cidade de São Paulo, provocando assoreamento e destruição da Mata Atlântica - deve ser revertida, com base em laudo técnico, pela restauração pleiteada em ação civil pública ajuizada pela Promotora de Justiça da comarca de São Bernardo do Campo, Dra.Rosangela Staurenghi.

O acórdão relatado pelo Ministro João Otávio de Noronha no RE n. 403.190 - SP averba que: "o dano ambiental aqui denunciado avulta de importância, não só pela destruição da Mata Atlântica, mas principalmente em razão da represa, que, segundo dados constantes do processo, está sendo assoreada, o que evidentemente, comprometerá o abastecimento de água de São Paulo, que já tem sofrido com racionamento em determinadas épocas do ano".

Em seu entendimento o eminente Relator, ao sopesar a existência de parcelamento clandestino do solo reconheceu que: "evidentemente há um fator social que muito pesa na decisão de restauração, a de remoção de famílias instaladas de forma clandestina no local, considerando que, não fosse o loteamento irregular, as edificações foram construídas em descumprimento de ordem judicial, pois, quando do início da presente ação, foi determinada a paralisação das obras de edificações, o que não foi sequer atacado pelo Poder Público, resultado na quase completa ocupação do local, mesmo antes de se proferir sentença".

E prossegue: "no caso, não se trata de querer preservar algumas árvores em detrimento de famílias carentes de recursos financeiros, que provavelmente deixaram-se enganar pelos idealizadores do projeto de loteamento ânsia de obterem moradias mais dignas, mas de preservação de reservatório de abastecimento urbano, que beneficia um número muito maior de pessoas do que as instaladas na área de preservação. Assim, deve prevalecer o interesse público em detrimento do particular, uma vez que, in casu, não há possibilidade de conciliar ambos a contento. Evidentemente o cumprimento da prestação jurisdicional causará sofrimento a pessoas por ela atingidas, todavia, evitar-se-á sofrimento maior em um grande número de pessoas no futuro; e disso não se pode descuidar”.

A justiça tem sido cada vez mais dura quantos aos abusos de loteamentos clandestinos e irregularidade no uso do solo. Pois a cidade cresce e a necessidade de Assegurar direitos coletivos se torna cada vez mais premente. O Tribunal de Justiça não foi complacente com casal é condenado e preso em São Paulo por venda de lote em fase de regularização. Akime Minami e Tatsuo Minami, moradores de Guarulhos, não poderão apelar em liberdade da condenação a três anos e um mês de reclusão e pagamento de 54 salários mínimos. Em 1997, por meio de cooperativas habitacionais, venderam lotes de uma gleba da qual tinham apenas a posse, sem informar aos compradores que se tratava de loteamento irregular. O crime de parcelamento do solo urbano sem autorização do órgão competente é tipificado no artigo 50 da Lei nº 6.766/79 e é qualificado quando os lotes são destinados à venda”.
E


EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO LOCAL

A política de educação foi centralizada ficando fora das funções da Subprefeitura. Esta política certamente foi fundada em alguma análise, mas é evidente que em uma região peculiar como Parelheiros a inexistência de coordenação estratégica com a educação debilita uma política de desenvolvimento e estabilidade e coesão social. Embora se perda um ambiente de grande potencialidade para a construção de um projeto de desenvolvimento regional Por outro lado, a criatividade e o entendimento de que a revolução das comunicações, com a Internet, celular e TV, e os estudos de especialistas apontam que apenas 30% do aprendizado provem da sala de aula, o resto vem do acompanhamento da estrutura familiar, do ambiente social e cultural onde se forma o jovem. Queremos educar para servir a sociedade, a comunidade, gerar autonomia e não somente para estruturar demandas paternalistas e reclamações. A matriz cultural ainda aponta a tutela, educar para ser empregados, subordinados, funcionários públicos e pouco formação para empreendedores, viver com qualidade com o patrimônio que dispõe e é possível na própria comunidade. Este é o desafio da nova educação local. Não é nenhuma garantia de adequada formação o município ter ou não incidência na formação. A necessidade é que a comunidade conheça os programas, participem nas escolas. As denominadas APEM, Conselhos Escolares, os instrumentos de associativismo dos jovens deveriam ser retomados adequados a visão global e a identidade local. Em todo caso é importante a comunidade conheça as estruturas, os agentes e acompanhar.

1-ESTRUTURA EDUCACIONAL MUNICIPAL: CRECHES CONVENIADAS

2-ESTRUTURA EDUCACIONAL MUNICIPAL: CEI, EMEI, EMEF, CIEJA, CECI

3- ESTRUTURA EDUCACIONAL ESTADUAIS (ver guia de serviços)

4-ESTRUTURA EDUCACIONAL PRIVADAS EM PARELHEIROS

EDUCAÇÃO: PROGRAMAS EXTRA ESCOLAR

A Escola Família é um Programas funciona em diversas Escolas Estaduais, com monitores financiados pelo Estado e coordenadores. O nível do município o Programa São Paulo é uma Escola é um programa municipal gerido por ONGs. Como estes programas abordam a região de mananciais? Como é avaliado e auditado na realização e nos conteúdos?

Para maiores informações e endereços veja o GUIA DE SERVIÇOS da Subprefeitura de Parelheiros 2006.
ELEIÇÕES, DEMOCRACIA E DESENVOLVIMENTO LOCAL

A pior democracia é preferível a melhor ditadura. A melhor democracia como sistema de gestão da sociedade funciona quando existe participação e responsabilidade compartilhada entre o poder público e a sociedade local, cada um cumprindo sua parte sem unilateralidade. Se funcionar só um dos lados acontece o desvio e a dependência. Uma democracia participativa é o caminho para superar as fragilidades e a crise atual da nossa democracia representativa, com representantes sem compromisso de sociedade. Para construir a democracia participativa o momento das eleições pode ser uma oportunidade de pedagogia social e aprendizado coletivo com eleitores ativos.

Portanto, o eleitor, com sua “moeda do voto” terá em outubro que fazer várias opções. Eleger um Presidente da Republica, um Senador e Deputado Federal que representará nosso Estado em Brasília, sua decisão deverá ser pensada. Paro o Estado de São Paulo vamos escolher um Governador e Deputado Estadual. A atual situação das nossas representações, com os temas de mensalão, sanguessugas, mostram um quadro eleitoral que obriga ao eleitor ter cautela para definir suas cinco opções, buscar opiniões, checar a história e ética dos candidatos, partidos e principalmente buscar alguma referência para cobrar os compromissos coletivos do candidato. Importante, não estamos elegendo um representante para resolver questões individuais, mas candidatos com propostas que atendam a sociedade, para o pais, o Estado e até o Município.
Nestes próximos três meses que antecedem as eleições, alem da Lei que controla e pune quem abusa do poder econômico ou da utilização inadequada do poder público nas eleições, o principal fiscal é o eleitor, cidadão consciente do seu papel no momento de depositar o voto. A eleição para Parelheiros, uma região muito especial para a maior cidade da América Latina, área de mananciais, obriga examinar entre os cinco cargos que estão em disputa desde o executivo (presidente e governador) ao legislativo (senador, deputado federal e estadual) aqueles que tem história, coerência e propostas que atenda nossas peculiaridades. Temos grandes temas na região: agricultura, o Rodoanel, uma das mais importantes ferrovias, um Parque Estadual, duas Áreas de Proteção Ambiental, uma Cratera que é patrimônio histórico, duas Aldeias indígenas e nossos mananciais alimentam as duas represas que fornecem água a cidade.
Como gestor e cidadão de uma região que recebe da metrópole um fluxo migratório 8% ao ano, minha expectativa é que Parelheiros valorize seu voto pensando agora e no futuro, examine com atenção os candidatos e as propostas estratégicas que cada um propõe para a região?





ESPORTES NA PLATAFORMA DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL I

O poder público, no caso a Subprefeitura de Parelheiros, pode “dar o pontapé inicial” para a promoção massiva do esporte regional, mas se quisermos obter sucesso é necessário o envolvimento de todos os cidadãos nesta plataforma. O esporte em suas diversas expressões, associado a atividades conexas, pode se tornar um eixo dinâmico do desenvolvimento local, e o que é o mais importante, sustentado no mais significativo dos patrimônios, as pessoas. O desenvolvimento deste patrimônio pessoal esta ao alcance, no domínio das pessoas, não depende de outros. A plataforma esportiva de Parelheiros se articula com outra vocação estratégica para o desenvolvimento autônomo da região, o turismo, cujo cliente é o morador da capital, onde 500 mil veículos saem todo fim de semana.

Com um esforço e cooperação de toda a comunidade, dos agentes sociais e instituições, a região pode se tornar uma referência de excelência esportiva. Sem deixar de lado outras expressões destaco algumas que podem tomar força imediatamente, com presença na região e visibilidade na sociedade: futebol, vôlei, basquete, golfe, basebol. Considerando que Parelheiros é a região das águas, com duas represas, as modalidades aquáticas de remo e vela merecem espaço especial. Por outro lado, considerando as peculiaridades regionais de reserva de mata atlântica e rios, um conjunto de outras atividades já estão em curso: canoagem, enduro de bike, a pé, hipismo, etc. todas podem entrar em um calendário regular de atividades esportivas regionais.

Para que um programa desta envergadura tome corpo são necessárias parcerias com universidades, instituições públicas e privadas que se comprometam com esta região especial para São Paulo. Um primeiro passo será articular com educação e saúde uma linha pedagógica e de comprometimento com o programa junto aos professores da rede pública regional e ao pessoal de saúde, para o envolvimento da juventude e família. Outro passo importante é buscar o apoio de personalidades dos esportes da cidade em suas modalidades para que Parelheiro se torne uma referencia no município.

O marco conceitual desta estratégia de esporte com desenvolvimento esta amparada em uma concepção sistêmica do esporte na sociedade em sua expressão individual e coletiva, sua conexão com os diversos níveis da realidade econômica, política, social e cultural. No entendimento de que as atividades esportivas, sejam quais forem as modalidades, contribui para o desenvolvimento de habilidades individuais, trabalho em equipe, liderança e aprendizado de estratégias. Tudo isto constitui o que tem se denominado “capital social” (ou fator comunitário), importante para desenvolver expressões empreendedoras sintonizadas a estrutura econômica do tempo livre, lazer e recreação. Questões que tomam importância em uma região periférica da maior cidade da América Latina e grandes cidades, como mostrou recentemente a França, onde a inclusão sócio laboral da juventude é vital para a estabilidade social. Neste horizonte estratégico, ganha a sociedade, o individuo, aumenta a coesão social e diminui os custos econômicos e sociais causados pela desestruturação e instabilidade de uma comunidade. O caminho esta aberto, o desafio é seu trilhar.

ESPORTES NA PLATAFORMA DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL II

Continuarei abordando o esporte como eixo de desenvolvimento sustentável, coesão e integração social local. Temos que avançar para construir todos, um plano estratégico para o desenvolvimento esportivo regional, diretrizes que orientem atividades e as energias dos agentes, atores que consolide um sistema regional de esportes. Como assinalamos na coluna anterior Parelheiros tem potencial peculiar também nos esportes. Foi grata surpresa de saber da iniciativa de alguns cidadãos que estão se mobilizando para popularizar o Tênis. Já descobriram quadra e pessoas que obtém trabalho e renda com este esporte. O golfe, com histórica presença na região, já revelou campeões originários de Parelheiros, o Rogério Bernardo, primeiro no ranking do Estado e segundo do Brasil é sócio atleta do Clube, outros estão no mesmo rumo. Buscando uma sustentação técnica e científica ao esporte regional, tive entrevista com o professor Alberto Amadio, Diretor da Escola de Educação Física e Esportes da USP, encontrei muita receptividade e disposição para parcerias com a região. O primeiro passo será estudar a viabilidade de reproduzir o programa destinado a professores de educação física da rede publica denominado “Educação Física, Vida e Movimento”, estamos no caminho de uma agenda de cooperação positiva.

É importante ter claro que o esporte na dimensão econômica é um negócio cada vez mais complexo e globalizado, ligado a necessidade de ícones e articulado à sociedade mediatica de comunicação massiva que motoriza a sociedade de consumo. Por isto, as duas patrocinadoras da Fórmula 1, Shell e a Philips Morris, pagam 250 milhões de dólares para ter seus logos nos veículos vistos por 300 milhões de espectadores em 200 países. Para ingressar neste circuito, onde Schumacher só de salários fatura 33 milhões de dólares ao ano segundo a imprensa, a família de Bruno Senna investe cerca de 1.5 milhões de dólares na F-3 preparando-o para chegar a F-1. Um plano estratégico para o desenvolvimento esportivo regional, não fica incólume ao sistema de negócio dos esportes, mas pode também trabalhar em um enfoque não do capitalismo selvagem do esporte, mas o da economia social e cooperativa. Por exemplo, se o Golfe gerar um Tiger Woods, o Tênis um Gustavo Kurten e o futebol um Ronaldinho regional, um contrato comunitário deve começa desde agora, não fomentar “donos de atletas”, mas atletas ligados a uma Cooperativa Regional, cujos resultados econômicos do esporte sejam vertidos na região.

A gestão da Subprefeitura em vez de adquirir veículos, priorizou reformar e ampliar os equipamentos esportivos do Centro de Parelheiros, Herplin e construir o espaço da Vila Marcelo. Depois de muito esforço, em abril se concretizam as Ruas de lazer que são também espaços para identificar valores comunitários. Nestes espaços os idosos, as mulheres podem tomar a iniciativa. A expectativa da gestão é que empresários da região assumam responsabilidades nesta estratégia. Por exemplo, a Subprefeitura tem dificuldade em manter ativo o “Centro de Treinamento”, financiando os professores, que quase voluntariamente, treinavam com entusiasmo, centenas de alunos nos sábados e domingos fortalecendo as equipes que participarão nos jogos da cidade.

ESPORTES COMUNITARIOS: AS RUAS DE LAZER

AS RUAS DE LAZER que deveriam funcionar aos domingos poderiam se constituir em espaços comunitários importantes. Em Parelheiros por ingenuidade ou erro, as ruas escolhidas requeriam grandes investimentos para regularizar e a inexistência de recursos dificultou a sua operacionalização. O mecanismo de concretização é o seguinte: A população faz um abaixo assinado, isto é transforma em um processo enviado a CET que após vistoria autoriza. Esta autorização da o credito frente a Secretaria de Esportes para receber o “KIT esportes” para cada rua. As atividades das ruas de lazer devem estar sintonizadas com as atividades de organização e estabilização territorial de Bairros em Agrupamentos. Por isto foi recomendado a constituição de Comissões de Gestão das Ruas de Lazer no Bairro (algumas sugestões para ir estruturando o funcionamento ver outras experiências)

Para iniciar o processo de demandas das Ruas de Lazer a Subprefeitura solicitou a comunidade o abaixo assinado. As lideranças da comunidade e com o cuidado de incluir ao menos um morador da RUA devem coordenar com a Subprefeitura a estruturação de uma COMISSÕES DE GESTÃO DE RUAS DE LAZER. Esta Comissão deve ter no mínimo 5 pessoas. É importante que as lideranças orientem para que a composição da Comissão tenha os jovens dos Programas coordenados pos SAS (Ação Jovem, Agente Jovem e Pro-Jovem), pois assim vão assumindo responsabilidades de participaçãolocal.
Os membros da Comissão receberão o KIT em cerimônia junto a subprefeitura. A Supervisão de esporte através dos estagiários vão estruturar uma palestra para os membros destas Comissões sugerindo as regras de funcionamento, tais como: 1-Orientação sobre os jogos; 2-Formas de utilizar o espaço para as diversas atividades; 3-Quando se estruturar atividades permanente sempre ter um “Coordenador ou Responsável” de equipe, assim vamos estimulando desenvolvimento de lideranças; 4-Estabelecer as RESPONSABILIDADES para guardar e cuidar os equipamentos e atender a sinalização da Rua.de Lazer.